Veja o resumo da noticia
- Aumento nos congelamentos de embriões e óvulos em 2024, impulsionado pela preservação da fertilidade e evolução da medicina reprodutiva.
- Crescimento da procura por tratamentos de reprodução assistida devido à priorização da carreira e novos modelos familiares.
- Técnica de vitrificação como alternativa para preservar a fertilidade feminina, com recomendação de congelamento antes dos 35 anos.
- Congelamento de embriões como método para futura implantação, precedido pela Fertilização in Vitro, e individualização da técnica.
- Aconselhamento reprodutivo para mulheres a partir dos 30 anos, incluindo avaliação médica e exames para identificar riscos de infertilidade.
- Implementação de incubadora com inteligência artificial para monitorar o desenvolvimento embrionário em tempo real e otimizar a implantação.

Mais de 128.180 congelamentos de embriões foram realizados em centros de reprodução assistida no Brasil, no ano de 2024, um aumento considerável de 12,35% em relação ao ano anterior (2023), quando foram registrados 114.086 congelamentos de embriões. Os dados são do relatório do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O número de ciclos de congelamento de óvulos realizados também aumentou de 13.921 em 2023 para 14.893 em 2024, um crescimento de 6,98%. O relatório também revela que quase 56 mil ciclos de Fertilização in Vitro foram realizados no país em 2024.
“O aumento exponencial do número de congelamentos de embriões e de congelamento de óvulos reforça a realidade do mundo contemporâneo com a tendência de postergar a maternidade”, afirma Gérsia Viana, especialista em medicina reprodutiva e diretora médica da Huntington Cenafert, clínica que integra um dos principais grupos de Reprodução Assistida do Brasil.
Na Bahia, 2593 embriões foram congelados em 2024, superando o ano anterior, 2023, quando foram registrados 2.524 congelamentos. Já a técnica de congelamento de óvulos registrou um aumento de 25,9% no estado, subindo de 390 ciclos de congelamento realizados em 2023 para 491 em 2024.
“Felizmente, esses números revelam também uma maior conscientização sobre a necessidade de planejar uma gravidez futura, uma vez que a fertilidade feminina entra em declínio com o avanço da idade, dificultando uma gestação espontânea”, afirma Gérsia Viana.
Mudança de perfil
Segundo ela, a mudança de perfil da mulher moderna, que hoje prioriza sua carreira, decidindo, muitas vezes, ter filhos numa fase mais avançada da sua vida, após os 38 anos, é um dos principais fatores pela procura crescente pelos tratamentos de reprodução assistida.
Aliada a isso, a medicina evoluiu bastante também e, hoje, a mulher conta com recursos como o congelamento de óvulos e de embriões, que permitem programar a maternidade com segurança num momento mais adequado.
Criopreservação de óvulos
Uma das alternativas para preservar a fertilidade feminina é a técnica de vitrificação. Considerado um método avançado, a vitrificação é realizada através da criopreservação de gametas femininos (óvulos) e proporciona taxas de gestação altas, uma vez que o procedimento preserva as características, a idade e a qualidade dos gametas femininos.
O sucesso da técnica está associado com a idade da mulher no momento do congelamento e a quantidade de óvulos congelados, a recomendação é que o congelamento aconteça antes dos 35 anos de idade.
Quanto mais jovens forem os óvulos congelados e em maior quantidade, maior a chance de uma fertilização bem sucedida. Apesar da recomendação, a busca por congelamento de óvulos tem crescido tanto entre mulheres com menos de 35 anos quanto em mulheres 35+.
A técnica de vitrificação traz uma nova perspectiva para a mulher moderna, que foca sua vida no crescimento profissional e só a partir de uma idade mais avançada começa a pensar na maternidade.
Congelamento de embriões
O método de congelamento de embriões para futura implantação no útero é outra alternativa importante para preservação da fertilidade. Nesse caso, a opção é o procedimento de Fertilização in Vitro.
Os óvulos coletados passam por um processo de fertilização com o espermatozoide do parceiro ou sêmen de doador e, em seguida, os embriões obtidos passam por um congelamente, para que ocorra a implantação no momento que a paciente decidir pela gravidez.
“A indicação de cada técnica é individualizada e depende de vários aspectos, que devem ser alinhados adequadamente entre a paciente e o especialista em medicina reprodutiva”, explica Gérsia Viana.
Novos modelos familiares representam mais de 50% no Brasil
Outro fator que contribui para a busca por tratamentos de fertilização é a formação de novos modelos familiares. Mãe solo, pai solo, filhos com duas mães ou dois pais, famílias coparentais (quando há o desejo de ser pai e de ser mãe, mas sem casamento e sem relação sexual), famílias “mosaico” (aquelas em que os pais casaram mais de uma vez e têm filhos de relações anteriores e da atual). Atualmente, essas diversas estruturas representam mais de 50% das famílias brasileiras.
Segundo o Censo Demográfico 2022, realizado pelo IBGE, as famílias tradicionais formadas por casais com filhos representam 42% do total dos arranjos familiares no Brasil.
“Nesse contexto do Século 21, com todos os avanços sociais e da própria medicina reprodutiva, os tratamentos de reprodução assistida têm tido um papel fundamental para garantir os direitos reprodutivos dos indivíduos e possibilitar a constituição de estruturas familiares diversas, trazendo inclusão e ampliando as possibilidades de maternidade e paternidade”, destaca Gérsia Viana.
Aconselhamento reprodutivo
Em Salvador, a Huntington Cenafert conta com serviço de aconselhamento reprodutivo para mulheres que atingiram 30 anos de idade e que sonham em ser mães no futuro.
Além da consulta com especialista em medicina reprodutiva, que vai avaliar o histórico familiar da paciente, hábitos de vida que podem comprometer a fertilidade e a regularidade do seu ciclo menstrual, dentre outros fatores, a mulher passa também por exames de sangue e de imagem para identificar possíveis fatores de risco para infertilidade, como questões hormonais, reserva ovariana e infecções que podem comprometer o aparelho reprodutor.
Uma mulher de até 30 anos e vida sexual ativa pode esperar até dois anos, caso tenha passado por avaliação e não apresenta nenhum problema. Caso a mulher tenha mais de 30 anos não deve aguardar mais que um ano para iniciar uma investigação com o especialista. Se atingiu 35 anos, o prazo de espera não deve ultrapassar seis meses
“Mulheres a partir dos 40 anos que desejam ter filhos devem buscar ajuda especializada de imediato”, orienta Gérsia Viana.
Incubadora de embriões com tecnologia de ponta e integrada a Inteligência Artificial: marco na reprodução assistida
Um dos desafios dos tratamentos de reprodução assistida é garantir a implantação do embrião no útero da futura mãe para que a gravidez aconteça de forma saudável. Assim, se evita a repetição de ciclos de Fertilização in Vitro, que costuma ter um custo emocional e financeiro para os pacientes.
Para otimizar esse processo, a Huntington Cenafert implantou em Salvador, uma incubadora para monitorar o desenvolvimento do embrião em tempo real e sem manipulação externa. Trata-se do EmbryoScope® Plus, equipamento de alta tecnologia que funciona com um sistema de vídeo time-lapse capaz de gerar imagens a cada 10 minutos.
A tecnologia permite avaliar com precisão padrões do crescimento embrionário, 24 horas por dia, sete dias por semana.
“Essa tecnologia é um marco na reprodução assistida na Bahia e uma tendência nos principais centros e laboratórios de reprodução assistida do mundo”, destaca Gérsia Viana.
O embrioscópio possibilita a análise de um grande número de informações do desenvolvimento embrionário e, consequentemente, auxilia na escolha do melhor embrião.
O equipamento permite selecionar com mais precisão o embrião em melhor condição. Assim, no momento mais adequado, para transferência para o útero da mulher, através de um processo seguro e eficiente. Outro diferencial é que o novo aparelho também possibilita que os pacientes possam visualizar imagens do embrião durante seu processo de evolução.
No método tradicional, era preciso retirar os embriões do seu cultivo na incubadora para avaliação através de um microscópio externo. Com a incubadora, os embriões não precisam passar por manipulação fora do seu ambiente durante todo o período de cultivo laboratorial.


