
Um imóvel desabou na manhã desta quinta-feira (29), na localidade conhecida como Baixa Fria, no bairro da Boca do Rio, em Salvador. O incidente afetou o fornecimento de energia elétrica na região.
Imagens enviadas ao portal mostram o momento em que os próprios moradores finalizam a derrubada de partes da estrutura que permaneceram comprometidas após o desabamento. Com a queda do imóvel, os destroços atingiram os fios de energia elétrica, o que levou à interrupção do serviço no local.
Em contato com o PS Notícias, a filha do proprietário do imóvel, a assistente social Tatyane Cerqueira, informou que ninguém ficou ferido. Segundo ela, outras duas famílias residiam no prédio.
Ainda conforme Tatyane, o poder público já havia vistoriado o imóvel, chegou a condenar a estrutura e orientou a saída dos moradores. No entanto, segundo o relato, a demolição não foi realizada conforme anunciado.
“Houve o retorno deles referente à demolição do imóvel. Na primeira vez eles não vieram, na segunda vez eles vieram, né? Aí condenou o imóvel e pediu que a família saísse, ofertando o auxílio-aluguel. Porém, essa demolição nunca aconteceu. Eles me informaram que iam fazer a demolição parcial, os dois últimos andares. E os dois andares iriam ficar, entendeu? Porém, eles não fizeram isso”, afirmou.
A assistente social relatou ainda que procurou órgãos responsáveis em busca de uma solução para o problema.
“Eu estive lá na Sedur por diversas vezes solicitando, disse que já tinha encaminhado, que já tinha descido, que já tinha isso, que já tinha aquilo, e nada de vir, nada de vir. Então, assim, foi uma tragédia anunciada”, salientou.
Ela também contou que, há cerca de duas semanas, novas equipes estiveram no local para avaliar a situação do imóvel, quando os moradores solicitaram a demolição total da estrutura.
“Quando foi duas semanas atrás, eles estiveram lá. Eu não estava, quem estava lá foi os outros dois proprietários que moram lá, as duas famílias que moram lá. Eles solicitaram que a casa fosse toda demolida. Aí os proprietários não deixaram o prédio ser todo demolido, né? Falaram que não, que eles iam ter que vir com a polícia para poder demolir isso e aquilo”, relatou.
Tatyane também criticou a instabilidade no pagamento do auxílio-aluguel ofertado às famílias após a interdição do imóvel.
“O auxílio-aluguel, eles começam a dar, com dois meses bloqueiam, né? Depois vai, bloqueia novamente. É um tal de bloqueia, bloqueia, bloqueia”, concluiu.
Posicionamento da Codesal
O PS Notícias entrou em contato com a Codesal, que informou ter realizado a vistoria no imóvel. Segundo a Defesa Civil, houve o desabamento de duas lajes, além de atingir dois imóveis vizinhos e obstruir o acesso a outras duas residências situadas nos fundos. Na nota, o órgão informou ainda que o prédio foi construído de forma irregular.
“A edificação, construída de forma irregular, já havia sido condenada pela Codesal em vistorias anteriores, com recomendação de demolição total. À época, os moradores foram devidamente notificados para desocupação dos imóveis. O proprietário também foi notificado, porém não autorizou a execução da demolição”, ressalta o comunicado.
Além disso, em razão do desabamento, um poste precisou ser derrubado e, com isso, a rede elétrica precisou ser desligada para a realização de reparos.
“A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur) foi acionada para avaliar as condições das edificações atingidas e providenciar a demolição das partes que apresentam instabilidade estrutural”, finaliza a nota.


