
Vitor Hugo de Oliveira Simonin, de 18 anos, um dos homens apontados pelo estupro coletivo de uma garota no Rio de Janeiro, se apresentou no 12ª Delegacia Policial (Copacabana) para prestar depoimento. Ele chamou a atenção por usar uma camiseta com a frase “Regret Nothing” (“Não se arrependa de nada”) durante a chegada à Delegacia.
A frase está relacionada aos grupos chamados “Red Pills”. Mas afinal, o que quer dizer ser ou pertencer a tal grupo?
A expressão “Red Pill” tem origem no filme “Matrix”, lançado em 1999 e estrelado por Keanu Reeves. Na trama, o personagem principal precisa escolher entre tomar a “pílula azul”, que o manteria em uma realidade ilusória, ou a “pílula vermelha” (“red pill”), que revelaria a verdade sobre o mundo. A partir dessa cena, o termo passou a simbolizar a ideia de “acordar para uma realidade escondida”.
Com o tempo, a expressão foi apropriada por comunidades da internet que passaram a usar “tomar a red pill” como uma metáfora para dizer que alguém teria despertado para determinadas interpretações da sociedade.
Nas comunidades online, a “red pill” representa a aceitação de uma visão de mundo que alega desvendar a “verdadeira natureza” das relações entre homens e mulheres. Essa “verdade” frequentemente se baseia em premissas de que as mulheres são manipuladoras, interesseiras e que o feminismo teria desvirtuado os papéis de gênero, prejudicando os homens.
Essas comunidades, muitas vezes inseridas na chamada “machosfera” ou “manosphere”, incluem grupos como os Men Going Their Own Way (MGTOW), que defendem que homens devem se afastar de relacionamentos com mulheres, e os Incels (celibatários involuntários), que expressam ressentimento e ódio contra mulheres por não conseguirem parceiras sexuais.
A relação entre “Red Pill” e violência contra a mulher
A relação entre a ideologia red pill e a violência contra a mulher é um tema de crescente preocupação para especialistas e defensores dos direitos humanos. A advogada Emanuela Oliveira de Almeida Barros, especialista em direito constitucional e prevenção à violência, explica que as ideias do movimento red pill podem ter graves consequências na luta pelos direitos das mulheres.
Nesse sentido, ela avalia que o movimento red pill promove estereótipos de gênero tradicionais, reforçando a ideia de que homens e mulheres possuem papéis distintos e hierárquicos na sociedade e nos relacionamentos. Essa visão pode levar à desvalorização do papel da mulher e à justificativa de comportamentos controladores e abusivos por parte dos homens.
O cenário da violência contra a mulher no Brasil é alarmante. O Brasil registrou recorde de feminicídios em 2025. Ao todo, 1.470 mulheres foram mortas por esse tipo de crime no país ao longo do ano, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número supera os 1.464 casos contabilizados em 2024.


