Veja o resumo da noticia
- Adoção de animais de estimação durante a pandemia como forma de companhia durante o isolamento social e o impacto nas suas vidas.
- Dificuldades de socialização dos cães ainda filhotes devido ao isolamento e as consequências comportamentais como reatividade.
- Surgimento de problemas comportamentais como a ansiedade de separação devido aos longos períodos de solidão.
- Outros sinais de ansiedade, como mudanças de comportamento antes da saída do tutor e relatos de vizinhos sobre choro.

Na semana em que o mundo relembrou os seis anos do início da pandemia da Covid-19, período marcado por incertezas, isolamento e pelas perdas provocadas pela maior emergência de saúde global vivida por nossa geração, muitos pets celebraram mais um ano de vida ao lado de seus tutores.
Naquele março de 2020, com mais tempo dentro de casa e longe do convívio social, muitos brasileiros optaram por adotar um animal de estimação para fazer companhia em meio ao caos que se instalava em nossas vidas. Os anos passaram, os traumas do período foram sendo superados (ou ao menos amenizados) e os filhotes de quatro patas cresceram. Mas o que mudou na vida desses animais com a transformação da rotina de seus tutores? E quais sinais de alteração de comportamento merecem atenção? É isso que vamos entender.
Como tudo começou
O médico-veterinário especialista em comportamento animal, Luis Carlos Sousa, lembra que um dos primeiros impactos na vida dos pets adotados (ou comprados) durante a pandemia aconteceu logo nas primeiras semanas da vida dos animaizinhos dentro da nova casa.
“Os cães em idade de socialização, entre 21 e 84 dias de vida, podendo chegar até os 120 dias, não tiveram contato adequado com pessoas, outros cães e os desafios do ambiente externo, como carros, motos, caminhões e outros ruídos em geral. Isso foi responsável por muitas questões comportamentais, como a reatividade, que pode se manifestar tanto com agressividade quanto com medo excessivo”, explicou.
Com o passar do tempo, as medidas de isolamento social foram sendo relaxadas. Os tutores voltaram gradualmente às rotinas fora de casa. Shows foram retomados, shoppings reabriram e a praia voltou a fazer parte dos fins de semana.
Essa mudança de cenário fez com que muitos pets, acostumados a passar praticamente todo o tempo ao lado dos seus “humanos de estimação”, se vissem, de repente, sozinhos.
“Essa foi uma experiência muito traumática para muitos cães, que já estavam adaptados àquela rotina e não estavam acostumados com longos períodos de ausência dos tutores. Esse vínculo é desenvolvido de forma natural. Cães são animais adaptados à convivência em grupos, e tentar não se distanciar do grupo é uma estratégia natural de sobrevivência. Contudo, sabemos que a falta de independência do animal, seja filhote ou adulto, pode gerar consequências negativas”, explicou.

E o tempo foi passando…
Com o crescimento desses animais e o aumento da distância na rotina dos tutores, começaram a surgir alguns problemas comportamentais. Muitos deles estão relacionados à chamada ansiedade de separação, condição relativamente comum em cães que passam longos períodos sozinhos.
Entre os sinais mais frequentes estão comportamentos que demonstram dependência excessiva do tutor. “Temos algumas mudanças que são importantes de serem notadas, como o cão que segue a pessoa em todos os cômodos da casa, não tem nenhum momento de independência e se desespera com o afastamento do tutor, mesmo que por poucos metros. Em alguns casos, mesmo com contato visual, o animal já demonstra angústia”, detalha o especialista.
Fique atento aos sinais
Outro sinal comum aparece quando o tutor se prepara para sair de casa. “Alguns animais mudam completamente o comportamento quando percebem sinais da saída do tutor, como trocar de roupa, pegar as chaves ou calçar os sapatos. É comum também relatos de vizinhos que escutam o cão chorando por muito tempo após a saída do tutor”, acrescenta.
Dentro de casa, os sinais também podem aparecer de forma clara. Objetos destruídos, roupas do tutor rasgadas, sofá danificado ou ainda urina e fezes em locais inadequados,mesmo quando o animal já tem educação sanitária, podem indicar sofrimento emocional.“Esses comportamentos muitas vezes são tentativas de restabelecer o vínculo ou reflexo de um grau elevado de agitação e ansiedade”, explica o veterinário.
Diante desses sinais, o ideal é buscar ajuda especializada o quanto antes.
“Achar que é um comportamento que vai passar sozinho geralmente não é a melhor forma de lidar com a situação, pois existe uma tendência forte de o problema se agravar ao longo do tempo”, alerta.
Segundo o veterinário, o acompanhamento profissional começa com uma análise detalhada do animal e da rotina da casa. “Na consultoria é feita uma avaliação do tutor e do animal, análise do ambiente e da rotina. A partir disso, é estruturado um plano personalizado de tratamento, que pode envolver treinamento comportamental, abordagem farmacológica e orientações constantes sobre rotina e manejo do ambiente”, conclui.


