Deputada Erika Hilton. Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Deputada Erika Hilton. Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A repercussão da eleição da deputada federal Erika Hilton (Psol) para comandar a Comissão de Defesa das Mulheres na Câmara dos Deputados resultou, na Bahia, em uma representação contra um deputado estadual e um vereador. A suplente de vereadora de Juazeiro Manuella Tyler (Psol) e o pré candidato à deputado estadual Kleber Rosa (Psol) anunciaram uma representação no Ministério Público baiano (MP-BA) contra o deputado estadual Leandro de Jesus (PL) e o vereador de Lauro de Freitas, Tenóbio (PL).

O motivo, segundo os denunciantes, é que os dois legisladores teriam estimulado ataques transfóbicos nas redes sociais após a eleição de Erika Hilton (PSOL) para presidir o colegiado.

Segundo os autores da representação, parlamentares e influenciadores ligados à extrema direita passaram a impulsionar conteúdos, através da campanha e hashtag “EleNão”, questionando a identidade de gênero da parlamentar eleita para presidência da comissão.

Um dos casos citados é um vídeo publicado por Gabriel Bandarra (PL), mais conhecido como Tenóbio, nas redes sociais em que o vereador se refere à deputada Erika Hilton como um “indivíduo com sabor mulher”, declaração considerada transfóbica pelos ativistas do Psol.

Violência política de gênero

Para Manuella Tyler, os ataques configuram violência política de gênero, com teor transfóbico e misógino, em uma tentativa clara de deslegitimar a presença de mulheres trans em espaços institucionais.

“Quando representantes públicos utilizam sua visibilidade para questionar a existência de uma mulher trans ou ridicularizar sua identidade, não estamos diante de um debate político, mas de uma violência que precisa ser responsabilizada”, afirmou Manuella

Kleber Rosa, por sua vez, afirmou que a ação busca estabelecer limites institucionais ao discurso de ódio na política.

“A eleição de Erika Hilton para presidir uma comissão tão importante é um marco democrático. A reação de setores da extrema direita mostra o quanto ainda incomoda ver mulheres e agora a primeira mulher trans a ocupar esse espaço de poder”, disse.

Agora, os dois integrantes do Psol baiano vão protocolar a representação no Ministério Público para apuração das declarações feitas pelos legisladores. Eles também pedem que o órgão ministerial solicite ao Judiciário a retirada do conteúdo considerado criminoso das redes sociais, além de retratação pública.