Veja o resumo da noticia
- Estimativas do INCA apontam para um aumento significativo de casos de câncer colorretal no Brasil, com projeções preocupantes para os próximos anos.
- Estilo de vida, histórico familiar e inflamações intestinais são fatores de risco importantes associados ao desenvolvimento do câncer colorretal.
- Obesidade e excesso de peso na população brasileira elevam o risco, reforçando a necessidade de hábitos saudáveis e acompanhamento médico.
- Colonoscopia é recomendada a partir dos 45 anos para identificar e remover pólipos, lesões precursoras do câncer colorretal, aumentando as chances de cura.
- Pesquisas recentes investigam a influência da localização do tumor e novas terapias, buscando otimizar o tratamento e melhorar prognósticos.

O câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino, deve registrar cerca de 53.810 novos casos no Brasil em 2026, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Na Bahia, a previsão é de 2.170 novos diagnósticos por ano, sendo 590 apenas em Salvador.
Considerada uma doença associada ao estilo de vida, a enfermidade é o segundo tipo de tumor mais frequente entre homens e o terceiro entre mulheres no país, desconsiderando o câncer de pele não melanoma. Em nível global, a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) projeta um aumento de 63% nos casos até 2040.
De acordo com especialistas, hábitos como má alimentação, sedentarismo e obesidade estão entre os principais fatores de risco.
“A obesidade sempre foi associada às doenças cardiovasculares, mas é importante saber que ela também é fator de risco para o desenvolvimento de vários tipos de câncer, dentre eles o colorretal”, explica o oncologista Eduardo Moraes, da Oncoclínicas.
Além disso, o especialista ressalta que o histórico familiar, inflamações intestinais crônicas e presença de pólipos no intestino também são fatores de risco.
O cenário preocupa ainda mais diante dos dados do Ministério da Saúde, que apontam que mais de 62,6% da população brasileira tem excesso de peso (sobrepeso) e 25,7 % sofre de obesidade. Assim, para reduzir os riscos, médicos recomendam mudanças no estilo de vida.
“Ter uma alimentação rica em fibras e alimentos in natura ou minimamente processados, limitar o consumo de carne vermelha, não fumar, praticar atividade física regular, evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas são hábitos que contribuem para reduzir o risco de desenvolvimento da doença”, orienta a oncologista Maria Cecília Mathias.
Sintomas e diagnóstico precoce
Entre os sinais de alerta estão alterações no hábito intestinal, presença de sangue nas fezes, dor abdominal, fraqueza, perda de peso sem causa aparente e desconforto abdominal. No entanto, os sintomas do câncer colorretal geralmente surgem quando a doença já está em estágio mais avançado, o que pode levar a diagnósticos tardios e aumento da letalidade.
“Ao notar qualquer sintoma, é preciso buscar ajuda médica o quanto antes para uma investigação”, ressalta o oncologista Bruno Protásio, da Oncoclínicas.
Como, muitas vezes, a doença pode não apresentar sintomas, o exame de colonoscopia se torna ainda mais importante para o rastreamento.
“Quando o câncer colorretal é diagnosticado precocemente e tratado, a chance de cura pode ser superior a 90%”, afirma o oncologista Marco Lessa.
Por isso, a colonoscopia é considerada fundamental, especialmente a partir dos 45 anos ou antes, em casos com histórico familiar.
Rastreamento: a colonoscopia
O câncer de intestino, ou câncer colorretal, abrange tumores que se desenvolvem no intestino grosso, no cólon e no reto. Cerca de 90% dos casos têm origem em pólipos, que são lesões benignas formadas na parede interna do órgão.
A colonoscopia é a forma mais eficaz de diagnóstico, pois permite identificar e remover essas lesões em diferentes estágios. O exame consiste na introdução de um tubo com câmera para visualização do cólon e do reto.
A recomendação é que o exame seja realizado pela primeira vez entre os 45 e 50 anos, com repetição a cada cinco ou dez anos, conforme orientação médica, para pessoas sem sintomas e sem fatores de risco.
“A ideia do rastreamento é permitir que tumores sejam detectados em fases iniciais, quando o paciente não tem nenhuma suspeita da doença”, explica a oncologista Mônica Kalile, da Oncoclínicas.
Nos casos de histórico familiar ou fatores de risco, o acompanhamento deve começar mais cedo. “Nesses casos, a data de início e a frequência do exame devem ser discutidas com o médico”, afirma Eduardo Moraes.
Pesquisas apontam avanços no tratamento
Estudos recentes liderados por pesquisadores baianos também trazem novas perspectivas no combate à doença. Uma pesquisa conduzida pelo oncologista Bruno Protásio identificou que tumores localizados no lado direito do intestino apresentam pior prognóstico em comparação aos do lado esquerdo.
“Fizemos o estudo com pacientes voluntários no Brasil e a conclusão veio consolidar um achado já visto através de pesquisas internacionais anteriores, só que agora com a população brasileira”, destacou o especialista.
Outro estudo, liderado pela oncologista Mônica Kalile, apontou que a Terapia Neoadjuvante Total (TNT) pode aumentar significativamente a resposta ao tratamento em casos de câncer de reto avançado.
“As taxas de resposta completa – clínica e patológica – foram significativamente superiores no grupo tratado com a TNT, com taxas quase três vezes maiores”, afirmou a pesquisadora.
A abordagem combina quimioterapia e radioterapia antes da cirurgia. Assim, o objetivo é reduzir o tumor e aumentar as chances de preservação de estruturas importantes, como o esfíncter anal.


