
A deputada federal Erika Hilton (PSol) rebate críticas após assumir a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara. Em entrevista à coluna de Paulo Cappelli, do portal Metrópoles, nesta quinta-feira (19), a parlamentar afirmou que não é preciso ser biologicamente mulher para entender e atuar nas pautas da comissão.
“Estou lá indicada pelo meu partido para ocupar esse lugar, assim como mulheres não trans também nos representaram em outros momentos, né? A questão de ser uma mulher trans não impede que nós tenhamos uma visão global sobre quais são as urgências das políticas públicas. A gente precisa entender quais são as prioridades, quais são os projetos para dar dignidade, proteção, assegurar direitos às mulheres. Qual é a incapacidade de uma pessoa trans poder discorrer sobre essa matéria?”, questionou a deputada.
Erika Hilton rebateu as críticas sobre questões biológicas e lembrou que a chapa eleita para comandar a comissão conta com outras parlamentares. Assim, essas parlamentares podem cuidar de assuntos que exijam experiência biológica específica.
“Qual é a incapacidade de uma mulher trans, que experimenta o que é ser mulher na sociedade, política, socialmente etc., para estar nesses lugares? ‘Ah, porque biologicamente não cabe essa colocação’. Mas será que, o tempo todo, nós estamos na Comissão das Mulheres discutindo características biológicas? Se por ventura chegarmos a um consenso de que há uma matéria que a minha falta de experiência biológica não permite que eu trate, nós temos três outras deputadas na chapa, todas mulheres, que podem conduzir o trabalho”, disse.
A deputada também criticou o que considera uma tentativa de espalhar ódio e ataques contra pessoas trans.
“Essa confusão polêmica nada mais tem do que o intuito de fortalecer o ódio e a violência contra as pessoas trans, porque inclusive essas mulheres estão sendo chantageadas, ameaçadas, coagidas por homens dos seus partidos. E isso não gera incômodo por parte de quem diz que uma parlamentar transexual não pode presidir a Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres”, completou.


