
Nesta quarta-feira (21), é celebrado o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Para marcar a passagem da data, o programa Ligação Direta, na Salvador FM, promoveu uma roda de conversa com três lideranças religiosas: padre Lázaro Muniz, pastor Joel Zeef e mãe Mônica Barbosa.
Durante o programa, os três líderes ressaltaram a importância do respeito à diversidade religiosa. Padre Lázaro, por exemplo, falou da importância de se buscar a convivência harmônica entre todas as religiões. “Cada religião tem seu sentido e seu significado, e nada impede que a gente possa compartilhar da nossa existência. A gente precisa combater a intolerância e defender a convivência harmônica entre as religiões”, argumentou.
Já mãe Mônica disse que a participação das três lideranças religiosas no programa é uma amostra de que o diálogo entre as diferentes crenças é possível.
“Nós lamentamos que as pessoas cometam desatinos em nome da fé. A energia é única. Hoje, é dia de luta, de combate, de reflexão e estamos aqui pela cultura da paz, mostrando que todos nós podemos conviver pacificamente”, disse.
O pastor Joel reforçou a tese defendida por mãe Mônica e padre Lázaro, frisando que o respeito é o alicerce para a convivência pacífica.
“É possível, sim, promover a paz entre as religiões. Isso é sinal de respeito entre as diversas formas de crenças e pensamento. A diversidade mostra que todos nós podemos ter ou não ter uma crença, mas cada um deve respeitar o outro”, enfatizou
Estado laico
Além disso, o pastor Joel trouxe ao debate o papel do Estado no processo de respeito e valorização das religiões.
“O Estado também precisa manter o seu papel laico, sem privilegiar um segmento ou prejudicar outro. O Estado, de forma geral, precisa compreender isso. Nenhuma religião deve ser prejudicada, nenhuma pessoa pode ser discriminada pela sua vestimenta”, exemplificou
Conscientização
Mãe Mônica afirmou que acredita no poder da conscientização a partir das escolas. “Eu sou professora de História, então acho que esse diálogo precisa estar na base, nas escolas, para que os estudantes possam levar essa consciência para casa. Outra necessidade é o cumprimento da lei. Temos um ano de funcionamento da Decrin [Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa]. As pessoas precisam saber que essa delegacia existe em Salvador”, lembrou.
Padre Lázaro frisou que muitos casos de intolerância religiosa são subnotificados pela forma como as instituições públicas registram as ocorrências policiais.
“Muitas vezes, na delegacia, os casos são tratados como briga de vizinhos, de família”, indicou.
Poder de influenciar
Durante a conversa no programa Ligação Direta, os convidados foram unânimes a respeito do poder de influência que os líderes religiosos têm entre os seus seguidores.
Conforme destacou o pastor Joel, as lideranças têm papel fundamental no combate à intolerância religiosa, “porque elas têm o poder da fala”.
Mãe Mônica acrescentou que o racismo estrutural potencializa a ocorrência de casos de desrespeito, por exemplo, às religiões de matriz africana. “Como somos lideranças, a nossa voz precisa ter força. A gente não pode esquecer que o racismo está enraizado na sociedade brasileira, é estrutural. Eu digo sempre que todos os diálogos são possíveis. A nossa fala caminha com aquilo que acreditamos e fazemos”, apontou.
O padre Lázaro, que defende a relação harmônica entre as religiões, relatou que sofre episódios de intolerância dentro do próprio grupo católico por estabelecer o diálogo com as diferentes formas de crença.
“Nos grupos cristãos, nós sofremos profundamente. Vamos sempre encontrar pessoas nos nossos grupos que vão nos classificar como loucos, irresponsáveis, hereges. Isso porque temos a capacidade de encontrar e abraçar outras pessoas”, externou
A Decrin
A Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin) completou um ano de funcionamento no bairro de Engenho Velho de Brotas, na capital baiana. O órgão é uma referência no enfrentamento aos crimes de racismo, intolerância religiosa e LGBTfobia.
A unidade funciona no Centro Policial de Cidadania e Diversidade (CPCD) e é responsável pela investigação dos mais diversos crimes.
Casos de racismo e intolerância religiosa podem ser denunciados diretamente na unidade, na Delegacia Virtual e no Centro de Combate ao Racismo Nelson Mandela.
Assista, a seguir, ao programa Ligação Direta desta quarta-feira:


