Ministro Alexandre de Moraes. Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF
Ministro Alexandre de Moraes. Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

Uma possível investigação envolvendo encontros privados frequentados por autoridades públicas levou o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União a analisarem denúncias relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Entre os pontos mencionados em representação protocolada neste ano está a suposta presença de integrantes dos Três Poderes da República em eventos realizados em imóveis associados ao empresário.

De acordo com informações publicadas pela coluna de Lauro Jardim no jornal O Globo, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, teria frequentado propriedades ligadas a Vorcaro em diferentes ocasiões. Entre os locais citados estão uma residência localizada no Lago Sul, em Brasília, e um imóvel de alto padrão no distrito de Trancoso, no litoral sul da Bahia.

A propriedade em Trancoso, segundo a publicação, possui cerca de 40 mil metros quadrados, 12 suítes e cinco bangalôs. O espaço teria sido utilizado para eventos privados promovidos por Vorcaro, que ficaram conhecidos como “Cine Trancoso”.

Denúncias

As denúncias que motivaram a representação enviada aos órgãos de controle apontam que essas reuniões teriam “altas autoridades dos Três Poderes da República, incluindo integrantes do Poder Executivo do governo anterior, membros do mercado financeiro, da política e do meio jurídico”.

Entre os elementos apresentados no processo estão mensagens de WhatsApp atribuídas à antiga proprietária do imóvel, Sandra Habib. Em diálogo com o corretor responsável pela negociação do aluguel da casa, ela relatou surpresa com o tipo de evento realizado no local.

Detalhes do evento em Trancoso

“O Vorcaro encheu a minha casa de putas. Ele, amigos e muitas putas! Desde antes de ontem, reclamações por causa do som acima do permitido. Ontem foi pior”, escreveu Sandra ao corretor no dia 5 de outubro de 2022.

Até o momento, não há decisão sobre abertura formal de investigação. O caso segue sob análise dos órgãos responsáveis, que avaliam se existem elementos suficientes para aprofundar a apuração sobre a participação de autoridades nos encontros mencionados.