
Por André Luis Barbosa*
Falta pouco para começar a temporada de entrega da Declaração do Imposto de Renda em 2026, momento em que muitos contribuintes se mobilizam às pressas, juntando comprovações e pedem informes a empregadores e bancos. Para evitar erros, multas e retrabalhos, vale aproveitar os dias que restam para organizar documentos e revisar pontos que costumam gerar dúvidas.
Nesse contexto, destaco as orientações para uma boa prévia e principais cuidados que os contribuintes precisam ter para a sua declaração. Podemos iniciar com a responsabilidade de pegar os informes de todos as fontes pagadoras: empregadores, aposentadorias, instituições financeiras, corretoras, plataformas digitais e empresas que pagaram aluguéis ou prestação de serviços. Sem esses documentos você não terá os valores corretos de rendimentos tributáveis nem de imposto retido na fonte.
Peço atenção para as contribuições ao INSS e DARFs pagos (Carnê Leão). Tenha em mãos os comprovantes de contribuição ao INSS (GPS ou comprovantes eletrônicos) e os DARFs do Carnê Leão, caso tenha recolhido imposto sobre rendimentos recebidos de pessoas físicas ou do exterior. Esses valores podem reduzir o imposto a pagar.
Para quem vai optar pela dedução completa, separe comprovantes de deduções. Organize recibos de despesas médicas, odontológicas, educacionais, comprovantes de pensão alimentícia (quando judicialmente determinada) e comprovantes de contribuições à previdência privada (PGBL), dentre outros itens que podem reduzir a base de cálculo do IR. Destaco o cuidado para os rendimentos de trabalho autônomo e plataformas digitais Motoristas de aplicativo, entregadores, freelancers e quem recebeu pagamentos por plataformas devem declarar os rendimentos recebidos. Verifique se a plataforma emitiu informe; caso contrário, faça o somatório dos valores recebidos e considere a necessidade de Carnê Leão.
É importante não esquecer das informações sobre imóveis, veículos, contas correntes, aplicações financeiras e participações societárias com os valores corretos para o ano-base. Para aplicações, verifique o informe da instituição financeira, que discrimina rendimentos e saldos. Já sobre o ganho de capital e alienações, a exemplo na venda de imóvel, veículo ou ações em 2025, verifique se houve ganho de capital e se foi necessário recolher imposto via DARF. Revise dependentes e informações pessoais, confirme CPF e dados de dependentes e informe corretamente pensões, guarda e outras alterações que influenciam deduções. Erros nesses campos geram divergências na base da Receita e podem levar a malha fina.
Na qualidade de contador, reforço que a semana que antecede o início da entrega é ideal para se organizar com calma: reunindo informes, comprovantes e checando cálculos, o contribuinte reduz riscos de erro e de cair na malha fina. Uma revisão com antecedência garante uma declaração correta e menos estresse. Afinal, um pouco de organização agora evita muita dor de cabeça com o leão depois.
*André Luis Barbosa é contador, professor e especialista financeiro. Atualmente, é vice-presidente de Desenvolvimento Profissional e Institucional do Conselho Regional de Contabilidade do Estado da Bahia.


