
O terreiro Ilê Asé Opô Aganjú informou, nesta quarta-feira (28), que a Prefeitura de Lauro de Freitas desistiu de fechar a Creche Casulo Vovó Ana, que funciona no espaço religioso localizado no bairro de Vila Praiana. No início do mês, a instituição religiosa denunciou a tentativa de fechamento da creche por parte da gestão da prefeita Débora Régis (UB), que pretendia transferir as crianças para uma escola da rede municipal de ensino.
Em nota, a sociedade beneficente do terreiro relatou que a gestão municipal informou a decisão durante uma reunião realizada nesta terça-feira (27). O encontro teve a presença de representantes do terreiro, da prefeita Débora Régis, da secretária municipal de Educação, Tamires Andrade, e da equipe administrativa da pasta.
Após a mobilização, segundo a nota emitida pelo terreiro llê Asé Opô Aganjú, a prefeita assumiu o compromisso de manter o funcionamento da creche para o ano letivo de 2026.
“Na reunião, a diretoria da associação protocolou um ofício contendo requerimentos e propostas voltadas ao fortalecimento do funcionamento da Creche Casulo Vovó Ana com o objetivo de consolidá-la como referência no cuidado e na educação infantil, pautada na valorização da cultura e da historia afro-brasileira, no fortalecimento da autoestima e na formação integral das crianças da comunidade da Vila Praiana”, diz o comunicado
Proposta preliminar
Procurada pela reportagem do PS Notícias à época, a Prefeitura de Lauro de Freitas informou que não houve deliberação pelo fechamento do espaço. No entanto, relatou que houve uma reunião com representantes da instituição no dia 8 de janeiro.
Na ocasião, diz um trecho da nota emitida pela prefeitura, foi feita uma proposta preliminar para transformar a creche em um Centro de Referência Étnico-Racial Vovó Ana, com foco na preservação da memória do terreiro, no letramento racial e na valorização da ancestralidade.
Ainda segundo a gestão municipal, se a proposta de criação do centro fosse aceita, as crianças atendidas pela creche seriam realocadas para uma unidade escolar que fica a cerca de 300 metros do terreiro.
Confira a nota pública do terreiro na íntegra:
NOTA PÚBLICA
Sem luta não há vitória
A Sociedade Beneficente llê Asé Opô Aganjú vem, por meio desta Nota Pública, comunicar que, após duas semanas de intensa mobilização protagonizada por sua diretoria, filhos e filhas de santo do terreiro, amigas e amigos, bem como por entes da sociedade civil organizada, finalmente conseguimos uma reunião com a Prefeita Municipal de Lauro de Freitas, Débora Régis, a Secretária Municipal de Educação, Tamires Andrade, e a equipe da Secretaria Municipal de Educação, realizada na última terça-feira, dia 27 de janeiro de 2026.
Em decorrência de nossa mobilização e dos nossos pleitos, a Gestão Municipal assumiu o compromisso de manter o funcionamento da creche para o ano letivo de 2026, bem como de viabilizar meios para a qualificação e o aprimoramento da infraestrutura da unidade.
Na reunião, a diretoria da Associação protocolou um oficio contendo requerimentos e propostas voltadas ao fortalecimento do funcionamento da Creche Casulo Vovó Ana, com o objetivo de consolidá-la como referência no cuidado e na educação infantil, pautada na valorização da cultura e da historia afro-brasileira, no fortalecimento da autoestima e na formação integral das crianças da comunidade da Vila Praiana.
Registramos nosso agradecimento a todas as pessoas, coletivos, entidades e apoiadores que se mobilizaram junto à Creche Casulo Vovó Ana e à Sociedade Beneficente llê Asé Opô Aganjú nesta luta que é, acima de tudo, por memória, identidade, pertencimento e pelo direito das nossas crianças a uma educação digna, antirracista e socialmente comprometida. Continuaremos firmes nessa luta e contra qualquer retrocesso
Káwo Kabiyėsílé, Oba Aganjú!
Atenciosamente,
Sociedade Beneficente llê Asé Opó Aganjú


