
Na última quarta-feira (21), data em que é celebrado o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, a prefeita de Lauro de Freitas, Débora Régis (União Brasil), gerou polêmica ao sancionar uma lei de combate à cristofobia. A medida foi publicada no Diário Oficial do Município e logo foi motivo de debate nas redes sociais.
Segundo a nova legislação, fica criado o Programa Municipal de Combate à Cristofobia, que também reconhece símbolos, monumentos e manifestações cristãs como patrimônio cultural do município. O texto prevê sanções administrativas para práticas consideradas discriminatórias contra a fé cristã, incluindo multas, suspensão de licenças e encaminhamento ao Ministério Público.
Dentre as manifestações contrárias à lei municipal está a de Bárbara Carine, pesquisadora, professora da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e uma das referências no país em educação antirracista.
Estado teocrático
A professora, que tem graduação em Filosofia e também em Química pela Ufba, afirmou que a lei instituída na cidade de Lauro de Freitas é uma tentativa de construção de um Estado teocrático.
A pesquisadora chamou a atenção para o fato de a lei ser publicada exatamente no Dia de Combate à Intolerância Religiosa.
“Não é à toa que escolheram o dia 21 de janeiro, que é o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Intolerância religiosa, essa sofrida largamente pelas religiões de matriz africana. Eu quero saber quantos templos cristãos foram invadidos, quantos foram depredados. A gente está falando de atualidade. Quantos recentemente foram violentados, quantas lideranças religiosas foram agredidas, quantas paredes foram pintadas, pichadas? Como aconteceu recentemente em um terreiro de Salvador, que entraram lá e picharam o nome de Jesus. Quantas vezes você viu picharem o nome de Exu?”, comparou Bárbara Carine.
Ao reafirmar a proteção de uma religião em detrimento de outras, segundo a professora, a prefeitura acaba impondo uma perspectiva religiosa no município.
“A gente está vivendo uma imposição estatal de uma perspectiva religiosa. Isso é muito triste e é muito violentador. É muito cínico quando acontece no dia 21 de janeiro”, frisou.
Confira abaixo o vídeo completo publicado pela professora Bárbara Carine nas redes sociais:


