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- Retorno do espetáculo 'Namíbia, Não!' ao Teatro Sesc Casa do Comércio em Salvador, comemorando 15 anos de sucesso e apresentações únicas.
- A peça, que inspirou o filme 'Medida Provisória', aborda o confinamento e a deportação de pessoas negras para repúblicas afrodiaspóricas.
- Montagem traz à memória vozes da dramaturgia brasileira, reafirmando sua contemporaneidade em face ao endurecimento das políticas migratórias.

O espetáculo “Namíbia, Não!”, escrito por Aldri Anunciação e dirigido por Lázaro Ramos, retorna ao Teatro Sesc Casa do Comércio, em Salvador, nos próximos dias 14 e 15 de abril.
A montagem que conquistou mais de um milhão de espectadores no Brasil e na cena internacional, como Portugal, Londres e Alemanha, comemora os seus “15 anos de espetáculo”, com duas únicas sessões, a partir das 20h. Sujeito a lotação, os ingressos estão disponíveis através da plataforma Sympla.
Retorno de “Namíbia, Não!”
Sucesso de público e de crítica, a montagem que deu origem ao longa-metragem “Medida Provisória” (2022) e que venceu o ‘Prêmio Jabuti’ (2013), retorna à cena com os primos Antônio (Aldri Anunciação) e André (Jhonny Salaberg) no centro do confinamento.
Deportando pessoas negras às repúblicas afrodiaspóricas, mas ‘Namíbia, Não!’, o espetáculo aguarda baianos e turistas para a temporada em Salvador, anunciando a montagem com figuras conhecidas da dramaturgia.
Reflexões e Contemporaneidade
Trazendo à memória do público as vozes que marcaram a dramaturgia brasileira, a montagem ‘Namíbia, Não!’ celebra a sua temporada comemorativa pela longevidade da peça, ao passo que reafirma sua contemporaneidade após o endurecimento de políticas migratórias e deportações no cenário global.
“O espetáculo trabalha com um desenho de vozes (vozes ‘fantasmas’ e vozes muito reais) que pressionam as personagens por dentro da narrativa. E uma dessas vozes é a voz do poder, uma voz opressora, que determina a execução da Medida Provisória — essa ideia brutal de exigir que pessoas negras ‘retornem’ à África em pleno século XXI. Dramaturgicamente, essa voz é decisiva porque ela materializa a máquina do Estado e fecha o cerco, empurra as personagens para o limite e participa diretamente do desfecho do conflito. E aí entra a importância de personagens como o de Wagner Moura, que empresta a essa figura um timbre de autoridade e uma densidade interpretativa que tornam o dispositivo ainda mais forte. Outras participações em off, como a de Léa Garcia, que é um ícone do teatro, cinema e TV do Brasil e pioneira abrindo o caminho para toda uma geração, traz ainda mais nostalgia à peça”, comenta Aldri.
Saindo do off para contracenar no palco do ‘Teatro Sesc Casa do Comércio’, Aldri se junta a Jhonny Salaberg para provocar boas risadas do público, mas não sem antes propor uma reflexão sobre uma diáspora reversa que atravessa a contemporaneidade.


