lavagem de itapuã
Divulgação/Acervo da AMI

Uma das manifestações mais singulares da cultura baiana e do povo de Salvador, a Lavagem de Itapuã está completando 121 anos. Antecipando o Carnaval, a tradicional festa acontece no dia 5 de fevereiro, com direito a muito samba de roda, batucada, afoxé e água de cheiro.

O Bando Anunciador, formado por instrumentos de sopro e percussão, se concentra na Praça Geraldão nas primeiras horas da madrugada. Sai pelas ruas principais de Itapuã arrastando moradores e turistas de passagem pela cidade.

Com o dia claro, seguem-se os momentos de fé, alegria, beleza e irreverência: a Lavagem das escadarias da Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Itapuã pelo grupo MÂEtendo, o desfile das baianas e dos blocos do Cortejo, além da baleia Jubarte, a baleia cheia de arte, criada pelo artista plástico Ives Quaglia.

Realizada pela Associação dos Moradores de Itapuã (AMI), com apoio do Governo do Estado através da Secretaria de Turismo (Setur), a festa reúne uma programação diversificada e se mantém viva graças à valorização de suas raízes identitárias e da participação da comunidade na organização do evento.

Tradição

Alguns dos grupos com presença confirmada foram criados há décadas, entre eles o bloco afro Malê Debalê, Puxada Itapuãnzeira, Galera do Mar, Porcelanato, As Santinhas, Arrastão do Jenipapeiro, Jacutinga, Turma da Relise, Kitute com Cerveja, Carro de Palha e Arrastão do Galo.

Mais uma vez, duas personalidades fortemente ligadas ao bairro serão homenageadas em 2026: a Ekedi Teresa Alves de Souza, do terreiro Ilê Axé Oya Demim, de Lauro de Freitas, e o músico, pescador e fundador do Afoxé Korin Nagô, Ulisses dos Santos.

A Festa de Itapuã se estende até a segunda-feira (9) com shows musicais nos dias 6 e 7 (sexta e sábado), às 20h, e no dia 8 (domingo), às 18h, no palco montado na Rua do Tamarineiro. O último dia será dedicado ao ritual de entrega dos presentes a Iemanjá pelos pescadores e pela comunidade, finalizando com confraternização e degustação de uma peixada nativa.