Foto: Arquivo pessoal
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É no quintal de casa, no bairro da Boca do Rio, em Salvador, que a família de Marco César cria três colmeias de abelhas. A ideia partiu do filho dele, quando o pequeno Harry tinha apenas sete anos, ainda durante a pandemia da Covid-19. De lá para cá, a família se encantou pelo universo dessas pequenas notáveis.

E não foi só a casa do agente de viagens Marco César que virou morada para as abelhas. Cada vez mais pessoas na capital baiana estão passando a criar esses insetos, que têm papel essencial na manutenção da vida na Terra.

“Abelha não é pet, tá certo?!” — me advertiu uma amiga (e criadora) enquanto conversávamos sobre a ideia da coluna desta semana. Pois bem, caro leitor, agora que eu e você já sabemos que abelhas não são consideradas pets, vamos abrir, ao menos por aqui e por esta semana, espaço para falar desses animaizinhos minúsculos, curiosos e extremamente necessários.

“Aqui em casa o quintal é grande. Temos três colmeias e criamos duas espécies: a uruçu nordestina e a irai. A irai é bem pequenininha, mas tem um comportamento interessante. Toda noite, ela fecha a entrada da colmeia com barro para impedir a entrada de predadores”, conta Marco, encantado.

Foto: Arquivo pessoal
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Os estudos mais recentes apontam a existência de cerca de 20 mil espécies de abelhas conhecidas no mundo. No Brasil, são aproximadamente três mil, sendo 250 espécies sem ferrão (as melhores para criar).

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) afirma que uma parcela dessas abelhas, junto a outros insetos polinizadores, é responsável pela reprodução de mais de 75% das culturas agrícolas destinadas à alimentação. Ou seja: sem abelha, sem comida.

Mas nem tudo são flores (literalmente)

As colmeias da família de Marco morreram recentemente. Perdas já são esperadas, já que as operárias voadoras vivem, em média, 45 dias. Parece pouco, mas é tempo suficiente para realizar grandes feitos.

“Não é um hobby tão barato, mas vale a pena. Tivemos essa perda agora, acredito que por causa dos carros do fumacê que podem ter passado aqui pelo bairro. Fora isso, é algo super tranquilo. Viraram a diversão da família”, comenta.

Foto: Arquivo pessoal
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Por onde eu começo?

Do começo, é claro. Mas qual seria ele? Estudo e dedicação. Todos com quem conversei para fazer a coluna desta semana são verdadeiros apaixonados pelo tema. Fizeram cursos, pesquisam com frequência e estão sempre lendo e aprendendo mais.

Aqui pertinho de Salvador, na Praia do Forte, um criador se destaca. O meliponário Pólen Dourado foi criado por Rarison Lima e Ana Paula Santos. Por lá, vivem sob os cuidados do casal mais de 16 espécies diferentes de abelhas nativas brasileiras sem ferrão.

Foto: Arquivo pessoal
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Com o tempo, a paixão virou empresa. Hoje, o local recebe visitas guiadas, que duram pouco mais de uma hora. Durante o passeio, os visitantes aprendem sobre a fascinante polinização e a importância ecológica das abelhas. Além da visitação, o meliponário também funciona como uma escola.

“O primeiro passo é fazer um curso básico e, claro, instalar a colmeia em um local próximo à natureza. Essa será a principal fonte de alimento das abelhas”, explica Rarison.

Ele ainda dá algumas dicas para quem quer começar. O ideal é apostar em espécies como a uruçu nordestina e a jataí, que são mais fáceis de manejar.

“Elas precisam ficar em uma área aberta, mas pode ser em casa ou até na varanda. Uma varanda aberta, inclusive de apartamento, já funciona”, orienta.

As colmeias podem ser adquiridas no próprio @PolenDourado. Os preços variam de acordo com a espécie e partem de R$ 350.