Veja o resumo da noticia
- Silvio Humberto critica desigualdade social no Carnaval de Salvador, refletindo problemas da cidade, como o tratamento aos ambulantes.
- Ambulantes, majoritariamente mulheres negras, enfrentam dificuldades financeiras, sustentando um sistema desigual no evento.
- Apesar de medidas como o termo de ajustamento, ambulantes ainda enfrentam condições precárias, como dormir na rua para garantir lugar.
- Humberto sugere medidas simples, como financiamento do gelo, para melhorar as condições de trabalho dos ambulantes no Carnaval.

O vereador Silvio Humberto (PSB) participou da saída do Ilê Aiyê, no Bairro Curuzu, na noite deste sábado (14). Durante entrevista ao PS Notícias, o edil detonou a desigualdade social no Carnaval de Salvador, sobretudo em relação ao tratamento da Prefeitura aos vendedores ambulantes que atuam nos festejos.
“O Carnaval também é um reflexo do dia a dia da nossa cidade. Se tem desigualdade fora do Carnaval, ela vai se manifestar dentro do Carnaval. Se existe racismo fora do Carnaval, e a gente sabe que ele não tira as férias, ele vai se apresentar de forma ampla, geral, infelizmente, sem freios”, lamentou.
Sobre os ambulantes, o vereador comparou a um esquema de pirâmides, afirmando que a categoria sustenta quem está no topo, pois, segundo ele, o dinheiro presente na cidade não é compartilhado.
“Você fica ali, nesse círculo vicioso da pobreza. Qual é a cor dos ambulantes? Qual é o gênero dos ambulantes? São mulheres e, na sua grande maioria, mulheres negras. Então, o que tem sido apontado, de fato, com a ideia de ônibus, almoço, eram as mesmas pessoas que estavam antes. Por que isso não foi visto? Foi preciso no ano passado ser considerado o trabalho dos ambulantes análogo à escravidão, então se faz um termo de ajustamento de conduta. Mas, infelizmente, os ambulantes continuam dormindo [na rua], porque precisam assegurar o lugar”, explicou.
Além disso, Humberto sugeriu implementação de medidas favoráveis à categoria, como o financiamento do gelo utilizado pelos trabalhadores.
“É a única mercadoria que não volta. O gelo fez água, acabou. Você vai ter que comprar no outro dia. Então, por que não garante isso? Às vezes são coisas simple que precisam ser tomadas, mas precisa de uma decisão política, e não esperar uma pressão que vem de fora”, sugeriu.


