
Após um processo administrativo feito pela Prefeitura de Salvador, três servidores sindicalistas foram demitidos por envolvimento no episódio deinvasão à Câmara de Vereadores em maio do ano passado. Na ocasião, um grupo de servidores protestava contra um projeto de lei do prefeito Bruno Reis (UB) que previa reajuste salarial.
De acordo com a portaria da Prefeitura de Salvador, foram demitidos da administração municipal o líder sindical Bruno Carianha, o agente de trânsito e transporte Helivaldo Passos de Alcântara e Marcelo da Rocha Oliveira, integrante da Guarda Civil Municipal.
O vereador Maurício Trindade (PP), um dos agredidos pelos manifestantes durante a invasão ao Centro de Cultura da Câmara, disse que “a justiça foi feita”. Trindade classificou o episódio como um grave ataque à democracia e disse que o ato foi pior do que o 8 de Janeiro.
“Naquele dia, o que vimos foi um ataque direto à democracia. Não foi um protesto pacífico. Houve invasão, agressão e tentativa de intimidação. A Câmara foi desrespeitada e os vereadores foram agredidos no exercício legítimo de seus mandatos”, declarou.
Perseguição política
A decisão da Prefeitura de Salvador foi criticada pelo coordenador-geral da Federação dos Trabalhadores Públicos do Estado da Bahia (Fetrab) e pré-candidato a deputado estadual, Kleber Rosa (PSOL).
Segundo o dirigente, a medida adotada pela Prefeitura é “arbitrária, ditatorial e marcada por um claro caráter de retaliação política”. Kleber Rosa afirmou que a demissão de um dirigente sindical por participação em ato político-sindical representa um “grave atentado à liberdade de organização e manifestação” dos trabalhadores do serviço público municipal.

“O que está em curso é uma tentativa de intimidar o movimento sindical e silenciar as vozes que lutam por direitos. Trata-se de uma retaliação política evidente contra um trabalhador que exercia seu papel legítimo de liderança”, afirmou Kleber Rosa.


