
A família de Gustavo Moura Lima, de 39 anos, morto após ser espancado na noite de segunda-feira (23), na Avenida Afrânio Peixoto, nas imediações do bairro de Coutos, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, contesta a versão inicial apresentada pela polícia e afirma que ele não estava praticando assalto no momento das agressões.
Em entrevista à Record Bahia, parentes afirmaram que Gustavo era eletricista e pai de dois filhos, uma adolescente de 15 anos e um garoto de 10, e que estaria em surto no momento da ocorrência. Segundo a irmã da vítima, ele havia saído de casa pela manhã e apresentou comportamento alterado ao longo do dia.
A Polícia Civil informou anteriormente que o homem teria sido agredido por populares após ameaçar pessoas que passavam pelo local com uma faca. O caso é investigado como agressão seguida de morte pela 3ª Delegacia de Homicídios (DHPP).
A família, no entanto, nega que ele estivesse armado ou cometendo roubo. Parentes também afirmam que não houve atropelamento, hipótese que chegou a circular após a divulgação de vídeos nas redes sociais. De acordo com os familiares, o DHPP realizou perícia no local e não teria constatado indícios de que a vítima tenha sido atingida por veículo.
Imagens que circulam mostram o momento em que Gustavo é cercado e espancado por um grupo de homens, com chutes, socos e pedradas. Ele ainda teria tentado fugir das agressões antes de cair na via.
Investigação
A família também afirma que o celular da vítima não foi localizado e cobra a identificação e responsabilização dos envolvidos. “Estão dizendo que foi carro, que passou por cima dele. Não foi. Ele foi agredido primeiro. A perícia esteve lá e não constatou atropelamento. Ele morreu por causa das agressões. Ele estava em surto. Ele saiu de casa e estava desorientado. Eu quero justiça da terra. Ele não era ladrão, não era traficante. Tiraram a vida de um trabalhador”, lamentou a irmã.
O corpo de Gustavo será sepultado às 10h desta quarta-feira (25), no Cemitério de Plataforma, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. A Polícia Civil informou que expediu as guias de perícia e remoção e que diligências estão em andamento para identificar os autores das agressões


