Foto: Reprodução/Redes Sociais
Foto: Reprodução/Redes Sociais

A influenciadora digital Bárbara Carine publicou um vídeo nas redes sociais denunciando um furto ocorrido em uma loja de Praia do Forte, no litoral baiano. Nas imagens, uma mulher branca aparece vestindo uma blusa, retirando a peça e escondendo-a sem ser notada. O caso aconteceu na manhã do dia 6 de fevereiro, por volta das 10h45.

De acordo com Bárbara, o episódio expõe o que ela classifica como racismo estrutural e privilégio branco no Brasil.

Gente, aqui está escancarado o racismo estrutural e o privilégio branco. É um crime tipicamente cometido por pessoas brancas. Uma mulher negra não conseguiria cometer esse crime, uma mulher negra não conseguiria se aproximar da loja sem ser notada, uma mulher negra não conseguiria começar a mexer nas roupas sem ser interpelada, uma mulher negra não conseguiria vestir a camisa ali na rua”, afirmou a influenciadora.

No vídeo, Bárbara Carine relata experiências que, segundo ela, fazem parte da rotina de pessoas negras em estabelecimentos comerciais.

“A gente pegar a roupa, vestir ali, não conseguiria. Geralmente, quando a gente se aproxima da loja, já tem um segurança ali na sua diagonal te olhando com a cara do satanás. Você olha também pra ele, você sabe que ele tá te olhando aqui, mas você desvia o olhar, né? Você olha pro chão, você olha pra roupa, você finge que nada tá acontecendo, mas você sabe que ele tá te olhando e você sabe por que ele tá te olhando.”

Ela também afirma que vendedores costumam agir de duas formas diante de clientes negros.

Muitas vezes os vendedores e as vendedoras da loja têm duas opções de tratativa com você. Ou vêm até você com medo de que você furte, né? Ou simplesmente descaso, né? Ficam ali te olhando, mas não vêm até você não, porque têm certeza que você não tem poder de compra, né?”, disse.

A influenciadora reforça que o episódio evidencia desigualdade no tratamento social com base na aparência.

“Existem estéticas que estão constantemente sob suspeita na nossa sociedade. E essa estética tem cor, essa estética tem raça. E existem estéticas que são as estéticas do poder. A estética dessa moça é a estética do poder, é a estética da segurança. Por isso que ela teve passe livre para cometer um furto e sair muito tranquilamente dessa loja.”