
Uma sindicância será instaurada pelo Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb) para investigar a atuação dos profissionais que participaram dos procedimentos cirúrgicos que deixaram sete pacientes cegos após passarem por cirurgia de catarata na Clivan Hospital de Olhos. O órgão informou a abertura da investigação na tarde desta quinta-feira (5), após realizar fiscalização na unidade hospitalar.
De acordo com o Conselho, a sindicância deverá apurar as circunstâncias em que ocorreram os procedimentos e a conduta dos profissionais envolvidos.
“Após fiscalizações realizadas na clínica em questão, [o Cremeb] irá instaurar uma sindicância para apurar o caso. Havendo indícios suficientes, o caso pode resultar na abertura de um Processo Ético-Profissional”.
Além disso o Conselho ponderou que todos os processos éticos tramitam sob sigilo, “assegurando-se o amplo direito à defesa e ao contraditório. Eventuais sanções públicas, após o trânsito em julgado, serão devidamente divulgadas para conhecimento da sociedade”.
Na tarde de quarta-feira (4), subiu para sete o número de pacientes que perderam a visão após contrair uma infecção. Outras duas pessoas que passaram por cirurgia na Clivan também devem passar pelo procedimento de remoção do olho operado. A informação foi atualizada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), que acompanha e investiga o caso.
Relembre o caso
Um grupo de pacientes que passou por cirurgias no dia 26 de fevereiro, na clínica Clivan, unidade que tinha parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, denunciou uma série de problemas após os procedimentos cirúrgicos. Após os relatos, a SMS suspendeu a parceria e interditou a unidade. Segundo a secretaria, a Clivan estava devidamente licenciada junto à Vigilância Sanitária municipal e com alvará vigente.
De acordo com o que divulgou a TV Bahia, as cirurgias foram realizadas em duas salas diferentes. Em uma delas, foram realizados os 26 procedimentos que resultaram em infecções.
O que diz a SMS
Por meio de nota, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) declarou que não autorizou a realização de mutirão nem a execução dos procedimentos cirúrgicos realizados no dia 26 de fevereiro de 2026 na clínica Clivan.
A pasta ressaltou que, após a interdição sanitária da clínica e a suspensão dos atendimentos na unidade, passou a realizar o levantamento e o acompanhamento dos pacientes que tinham consultas, exames ou procedimentos agendados no estabelecimento.
Os pacientes estão sendo localizados e encaminhados para outras unidades da rede assistencial, garantindo a continuidade do atendimento na rede pública de saúde. Entre esses casos, a SMS acompanha de forma mais direta os pacientes submetidos a procedimento de facoemulsificação (cirurgia de catarata) realizado no dia 26 de fevereiro de 2026, na Sala 02 da unidade. Na data, foram realizados 138 procedimentos cirúrgicos na clínica, sendo 26 na Sala 02.
Acompanhamento dos Pacientes
Até o momento, 25 pacientes operados nessa sala apresentaram intercorrências no pós-operatório e estão em acompanhamento pela rede pública de saúde. Uma paciente não apresenta queixas e tem consulta de revisão agendada.
Desses pacientes, 16 seguem em tratamento clínico especializado e 9 evoluíram com indicação de evisceração ocular, sendo que 7 já realizaram o procedimento e 2 aguardam a cirurgia.
Resposta da Clivan
A reportagem do PS Notícias buscou a assessoria de imprensa da Clivan, mas até o fechamento desta matéria não obteve retorno.


