Foto: Milena Brito/Ascom PC-BA
Foto: Milena Brito/Ascom PC-BA

A Polícia Civil da Bahia e o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado (ADPEB) emitiram nota de apoio à delegada Priscila Amoedo Luedy. Ela tem sido acusada de parcialidade porque aceitou investigar um caso de violência doméstica em que a vítima tem como defensor um advogado que, no passado, atuou para a delegada.

A delegada Priscila Luedy deu encaminhamento ao inquérito em que a vítima Fabiana Gordilho acusa o empresário e ex-companheiro Lucas Abud de agressão. O advogado de Fabiana é Nestor Távora, que atuou em um processo da delegada entre 2022 e 2023.

Em nota veiculada pelo portal Poder360, a Polícia Civil da Bahia saiu em defesa do ato praticado pela delegada Priscila Luedy.

“A Polícia Civil da Bahia informa que o recebimento de notícia-crime e o encaminhamento de pedidos de medidas protetivas constituem atos vinculados, decorrentes de dever legal da autoridade policial, não havendo discricionariedade quanto ao acolhimento da representação apresentada. Esclarece que a concessão ou não de medidas protetivas é de competência exclusiva do Poder Judiciário”, diz o comunicado da corporação

Além disso, a Polícia Civil afirmou que não há impedimento legal para a delegada agir no caso em que o advogado da parte teve vínculo, no passado, com a autoridade policial.

“Eventuais alegações de suspeição devem ser apreciadas pelas vias próprias, não havendo impedimento legal automático à atuação da autoridade policial em razão de vínculos profissionais pretéritos com advogados das partes. A Polícia Civil reafirma seu compromisso com a legalidade, a impessoalidade e a estrita observância do devido processo legal”, concluiu a polícia no documento

Desagravo

O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado da Bahia (ADPEB) também emitiu uma nota de desagravo depois que o caso ganhou a imprensa nacional. No comunicado, a instituição representativa criticou publicações que indicaram existência de conflito de interesse na atuação funcional da delegada de Polícia Civil.

Em um trecho da nota de desagravo, o sindicato ressaltou que Priscila Luedy atua na Casa da Mulher Brasileira (CMB), órgão responsável pela proteção de mulheres vítima de violência.

“Cumpre destacar, ainda, que a autoridade policial exerce suas funções na Casa da Mulher Brasileira, equipamento público voltado à proteção de mulheres em situação de violência, contexto que exige estabilidade institucional, atuação técnica e ambiente livre de pressões externas, sob pena de comprometimento da própria política pública e do interesse coletivo por ela tutelado”, diz a nota.