
Um casal foi preso na última segunda-feira (5) suspeito de assédio e abuso sexual contra alunas de uma escola de vôlei na cidade de Eunápolis, no sul da Bahia. O PS Notícias teve acesso ao depoimento das vítimas. Ambos os suspeitos têm 21 anos.
De acordo com a investigação, o rapaz atuava como instrutor e líder de um projeto de vôlei frequentado por crianças, adolescentes e jovens que, mensalmente, pagavam R$ 16 para terem acesso às aulas.
Segundo os depoimentos, ele teria utilizado a posição de referência no projeto para se aproximar das alunas, iniciar conversas privadas e, gradativamente, fazer abordagens de cunho sexual. A esposa dele é apontada como participante de parte das abordagens e tentativas de aliciamento.
A principal denúncia é feita por uma adolescente de 17 anos, que relatou à polícia que começou a frequentar a escola de vôlei em junho de 2024. Segundo o depoimento, a partir de janeiro de 2025, o comportamento do instrutor mudou, com o envio de mensagens inadequadas, convites para encontros e insistência para que ela fosse à casa dele.
Em maio do mesmo ano, a jovem afirma ter sido constrangida a praticar sexo oral contra a própria vontade, dentro da residência do casal, enquanto a esposa do instrutor estaria presente no quarto, observando o ato.
Ainda segundo a vítima, o contato inicial teria ocorrido sem qualquer tipo de suspeita. Ela afirma que recebeu presentes, como um telefone celular, e chegou a ser abordada com propostas envolvendo dinheiro. Os atos sexuais, ainda conforme ela, ocorreram sem consentimento.
Investigação
O inquérito aponta que o caso não seria isolado. Outras jovens ouvidas pela Polícia Civil relataram assédio recorrente, envio de mensagens com teor sexual, comentários sobre o corpo, convites para encontros privados e tentativas de envolvimento sexual em grupo.
Uma testemunha afirmou que a esposa do suspeito também participava das abordagens, enviando mensagens e fazendo convites para cinema ou para a residência do casal. Há relatos de chamadas de vídeo sugeridas enquanto o casal estaria tomando banho e envio de imagens em visualização única.
Segundo os depoimentos, adolescentes mais novas, inclusive uma menina de 13 anos, também teriam sido alvo de insistência para ir à casa do instrutor. Algumas dessas jovens não compareceram à delegacia por medo da reação dos pais ou de possíveis represálias, conforme registrado no inquérito.
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O caso veio a público em dezembro do ano passado, quando alunas do projeto e outras testemunhas reuniram prints das conversas atribuídas ao casal, confrontaram os investigados no local das aulas e acionaram a Polícia Militar. O casal foi contido por populares até a chegada da PM e conduzido à 1ª Delegacia Territorial de Eunápolis. Durante a ocorrência, dois aparelhos celulares foram apreendidos para análise
Prisão preventiva
No pedido de prisão preventiva encaminhado ao Judiciário, a Polícia Civil afirma que “os fatos descritos indicam conduta reiterada e sistemática, com uso de uma atividade esportiva e social para acesso às vítimas”. O documento também relata que, durante os depoimentos na delegacia, o instrutor teria mantido uma postura considerada intimidatória, encarando vítimas e testemunhas, o que, segundo os investigadores, pode comprometer a apuração dos fatos. O casal segue custodiado e à disposição da Justiça.


