
Em Salvador, a violência não é apenas estatística, é rotina. E, quase sempre, dois profissionais chegam juntos ao mesmo cenário: o policial e o jornalista. Um atua para conter o crime. O outro, para contar a história. Ambos sob pressão. Ambos expostos ao risco.
Foi nesse contexto que a Polícia Civil da Bahia promoveu o workshop “De Olho na Segurança: o papel da mídia na cobertura segura das ações de segurança pública”, reunindo forças de segurança e profissionais da imprensa para discutir limites, responsabilidades e, principalmente, segurança.
A equipe do PS Notícias acompanhou os dois dias de atividades.
Da teoria à tensão prática
O primeiro dia foi dedicado à base técnica. Especialistas apresentaram a estrutura do sistema de segurança pública, os fluxos de comunicação entre os órgãos, fundamentos éticos da cobertura jornalística e os limites legais que regem tanto a atuação policial quanto a imprensa.
Mas foi no segundo dia que a teoria ganhou peso real.
Sob coordenação da Coordenação de Operações e Recursos Especiais (Core), jornalistas participaram de simulações operacionais que reproduziram cenários críticos: patrulhamento em área conflagrada, preservação de local de crime, gerenciamento de crise com reféns, busca e salvamento, além de cobertura de conflitos urbanos.
Mesmo em ambiente controlado, a tensão era perceptível.
Passos acelerados. Comunicação objetiva. Decisões rápidas. Situações que, na prática cotidiana da capital baiana, acontecem sem ensaio.
Entre o direito de informar e a preservação da vida
A experiência permitiu uma inversão simbólica de perspectiva. Jornalistas puderam compreender, ainda que por algumas horas, a complexidade operacional enfrentada pelos agentes de segurança. Policiais, por sua vez, vivenciaram os desafios da cobertura em tempo real, onde a informação precisa ser precisa, responsável e segura.
O equilíbrio é delicado. De um lado, o dever constitucional de informar. Do outro, a necessidade de preservar vidas e operações em andamento.
O diálogo entre essas duas frentes pode evitar ruídos, interpretações equivocadas e até riscos desnecessários em campo.
Uma construção conjunta
O workshop foi realizado por meio da Academia da Polícia Civil (Acadepol), em parceria com a Secretaria de Segurança Pública, a Polícia Militar da Bahia, o Corpo de Bombeiros Militar da Bahia e o Departamento de Polícia Técnica.
Também contou com apoio institucional de entidades como a Federação Nacional dos Jornalistas, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia e a Associação Bahiana de Imprensa, além de parceria acadêmica com a Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia.
A iniciativa do worshop sinaliza que, em um estado onde a segurança pública é pauta constante, a aproximação entre imprensa e forças policiais não é apenas estratégica, é necessária.
Em uma cidade onde a linha entre rotina e emergência é tênue, compreender o papel do outro pode ser decisivo.
No fim das contas, quando a sirene toca, não há disputa de espaço. Há missão. E, em Salvador, essa missão, seja com colete ou com câmera, começa cedo e termina tarde.


