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Representatividade não é ter uma ou duas de nós ocupando a política | Foto: Felipe Iruatã | Ag. A TARDE - Foto: Felipe Iruatã | Ag. A TARDE

 

Na Bahia, a primeira vez que uma mulher negra foi eleita deputada federal foi no ano de 2014, já como deputada estadual, tivemos a primeira mulher negra apenas em 2019.

Até hoje, em 2020, Salvador, considerada a cidade mais negra fora do continente africano, nunca elegeu uma mulher negra como prefeita.

Com tantos anos de história política, e tendo cerca de 81,1% da população formada por pessoas negras, segundo dados de 2018 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), informações como essas deveriam chocar, pois mesmo sendo maioria populacional, o poder não está em nossas mãos e as decisões políticas do estado em que vivemos estão nas mãos de homens brancos.

Vivendo na época em que a palavra “representatividade” anda na ponta da língua, é necessário questionar ainda qual é o significado dessa representação e quantas de nós são permitidas acessar espaços como o da política.

Afinal, representatividade não é ter uma ou duas de nós pautando a nossa agenda como prioridade, essa presença precisa ser proporcional, sem falar que ter a questão das mulheres negras como uma das pautas políticas principais na Bahia é urgente, pois somos a maioria sendo mortas.

Nossa voz precisa ecoar politicamente para que faça sentido a frase “lugar de mulher é onde ela quiser”, pois ainda somos a maioria nas mazelas e nos espaços subalternos da cidade.

Ainda somos também, de acordo com o relatório ‘A cor da violência: uma análise sobre homicídios e violência sexual na última década’, da Rede de Observatórios da Segurança, 73% dos casos de violência sexual registrados em 2017, enquanto as mulheres brancas foram vítimas em 12,8%..

 

A Tarde/// Figueiredo