
O caso de duas turistas baleadas em Prado, no extremo sul da Bahia, virou alvo de críticas da oposição ao governador Jerônimo Rodrigues (PT). As duas mulheres foram atingidas por disparos de arma de fogo nesta terça-feira (24) quando se deslocavam para a praia de Barra do Cahy, no distrito de Corumbau. O episódio ocorreu em uma área marcada por conflitos entre indígenas e produtores rurais.
Políticos de oposição apontam grave crise na segurança pública do estado. Para o deputado estadual Manuel Rocha (UB), presidente da Comissão de Agricultura e Política Rural na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), o caso demonstra que a situação ultrapassou qualquer limite aceitável e já afeta não apenas produtores rurais, mas também moradores, trabalhadores e até visitantes.
“Território sem lei”
O parlamentar afirmou que a ausência de ação do Estado tem favorecido a expansão da violência.
“O que está acontecendo no extremo sul é uma tragédia anunciada. Estamos vendo um território sem lei, onde o direito à propriedade é violado dia após dia, e agora até turistas foram vítimas desse caos. Se o Estado não age, a violência se expande. Não é mais apenas o produtor rural que está ameaçado, mas qualquer pessoa que passe pela região”, afirmou Rocha.
Ainda segundo o legislador, há meses a Comissão de Agricultura tem alertado sobre o aumento das invasões de propriedades, denúncias de saques, furtos de produção agrícola e ataques armados.
Segundo o deputado, a sensação entre produtores rurais é de abandono completo. “Esse é o resultado direto da omissão do governo da Bahia. A Comissão tem ouvido produtores sitiados, famílias presas dentro de casa com medo de sair, fazendas saqueadas, decisões judiciais que não são cumpridas”, criticou.
Infiltrados
Manuel Rocha também relatou que a crise na região possui um agravante. Ele explicou que o problema não se resume a conflitos entre produtores e supostos indígenas, mas abrange grupos criminosos infiltrados em disputas fundiárias.
“Estamos lidando com criminosos armados, com ações coordenadas que nada têm a ver com reivindicação social. É banditismo. E o governo sabe disso, mas não age. É inadmissível que vidas continuem sendo ceifadas enquanto o Estado cruza os braços”, disse.
Cena de guerra
Raissa Soares, pré-candidata a deputada federal pelo PL, usou as redes sociais para falar da ocorrência no extremo sul. Ela lembrou que a área onde ocorreu o ataque enfrenta disputa judicial por terras e tem sido marcada por tensão nas últimas semanas.
Em seu perfil no Instagram, Raissa Soares questionou o Executivo estadual.
“Cadê o governador? Duas turistas baleadas, ensanguentadas, foram transferidas de helicóptero para Porto Seguro. Isso é cena de guerra em plena área turística. Não se trata de lado ideológico, trata-se de vidas”, disse.


